12 de outubro de 2005

é tão bom correr

no Porto, com o iPodzito sempre a bombar grindcore. Saio de casa e não há nenhum parque por perto, por isso subo pelos lados da Constituição até à Quinta do Covelo. Todo este mundo de gente, talhantes, cabeleireiros, polícias barrigudos, putas, reformados a jogar às cartas e meninos a sair da escola (já se está a pôr o Sol), os inevitáveis gunas, um ou dois cromos que correm como eu (mas pelo Norte do Porto ainda não há iPods, ahaha), senhoras a passear o cão e a cagar no passeio (o cão), lojistas de todas as espécies a fumar à porta, a ver os clientes passar, e a correr. As ruas são maravilhosamente desordenadas, sobem e descem, buraco sim buraco não, cada casa ocupa o seu lotezinho, todas em fila, todas diferentes mas alinhadas pela rua e com poucas variações de altura, entre 2 e 4 andares. Desde umas variações de barroco romano feito à moda do Porto, com granito em vez de travertino, até ao esquizofrénico Instituto do Sangue, passa-se por todos os estilos. É como estar num desenho animado, mas com cheiros (a escape, a carne fresca, a vegetação, a relva, ao perfume barato dos reformados) e banda sonora grindcore. Chego à Quinta do Covelo, e depois desço a Antero de Quental até casa. Sabe bem expulsar os finos da noite de ontem pelos poros da pele. E ouvir mais grindcore, e continuar a apreciar a paisagem humana, como os dois barbeiros a rir dentro do salão vazio e que ficam a olhar para este personagem a correr com os fios brancos a sair das orelhas. Todo este mundo está tão fora de moda, tão out, tão ultrapassado que inexoravelmente vai desaparecer. Por isso é aproveitar enquanto há.

2 comentários:

Anónimo disse...

Este é o meu post preferido.
Foi preciso passarem por aqui 5000 mamíferos que não têm mais nada de útil para ler para tu começares a escrever bem!...

Anónimo disse...

O Bruuunnnno perguntaria: Why is being "portuense" so out of this season?